segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Senso Comum, Ciência e Filosofia

FILOSOFIA
Ø      Está expressa nas obras dos filósofos, sob a forma de sistemas e ensaios;
Ø      É partilhado pela comunidade dos filósofos, influenciando a sociedade através do ensino (aulas, conferências) e por via política;
Ø      Baseia-se na razão e nas regras lógicas;
Ø      Normalmente é organizada, sistemática e ensaísta, utilizando como método a argumentação.
Ø      A filosofia constrói-se através do raciocínio e da argumentação entre filósofos.
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SENSO-COMUM

Senso - comum =
Ø      Partilhado por uma comunidade ou cultura que acredita nele sem o colocar em causa;
Ø      A sua filosofia expressa-se nos ditados populares, nas crenças, nas ideologias, na poesia popular, na religião, etc.

caracteriza-se por ser:

Ø      Ametódico e assistemático – pois nasce diante da tentativa do homem resolver os problemas da sua vida diária;
Ø      Empírico – porque se baseia na experiência quotidiana e comum das pessoas e distingue-se da experiência científica por ser uma experiência feita sem planeamento rigoroso;
Ø      É um conhecimento ingénuo por não ser crítico, por não se colocar como problema, não se questionar enquanto saber;
Ø      Conhecimento subjectivo – pois depende de juízos pessoais a respeito das coisas, ocorrendo o envolvimento das emoções e dos valores de quem observa;
Ø      É fragmentário pois não estabelece conexões onde estas poderiam ser verificadas. (Por exemplo, mão é possível ao homem comum perceber qualquer relação entre o orvalho da noite e o suor que aparece na garrafa que foi retirada do frigorifico)
Ø      É particular, restrito a uma pequena amostra da realidade, a partir da qual são feitas generalizações muitas vezes apressadas e imprecisas. O homem comum selecciona os dados observados sem nenhum critério de rigor, de forma ametódica e fortuita, movido pelas emoções e restrito pela experiência vivida.

CIÊNCIA

Ø     Expressa-se em leis e teorias e está presente em revistas da especialidade;
Ø     É partilhada pela comunidade cientifica e divulgada para o homem comum;
Ø     É rigorosa graças à utilização de instrumentos de medida precisa. Ex: termómetro, barómetro, telescópio;
Ø     Organiza-se num sistema de teorias e leis e utiliza um método experimental;
Ø     É um saber artificial porque é construído em laboratórios através de bases concretas, apesar de se basear em alguns princípios abstractos ( causa-efeito).
Ø     A ciência procura descobrir como a natureza "funciona", considerando, principalmente, as relações de causa e efeito. Nesse sentido, pretende buscar o conhecimento objectivo, isto é, que se baseia nas características do objecto, com interferência mínima do sujeito.
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domingo, 10 de outubro de 2010

"A Filosofia é um mar revolto, causado por tempestades de interrogações e dúvidas"
- Liliana Lourenço -

Filosofia: definição e objecto

Conceito de Filosofia
Não é fácil para os filósofos definir Filosofia, porque existem diversas respostas e nenhuma delas é igual: umas dão mais importância a determinados aspectos e outras a outros aspectos. Este facto está relacionado com o objecto da própria Filosofia, ou seja, com a realidade que a Filosofia procura apreender que é infinita. A forma mais fácil de definir a filosofia será procurar identificar o seu objecto.
Objecto da Filosofia
Qual é então o objecto da filosofia? Inicialmente, tudo o que era considerado conhecimento científico era considerado como filosofia. Apenas a partir do século XVII, com o nascimento da ciência moderna, começou a existir uma separação entre a ciência e a filosofia. Neste movimento de separação, cada ciência ia-se autonomizando e definindo o seu próprio objecto e método. Alguns filósofos atribuem uma posição intermédia à filosofia: não é ciência, não é religião e não é senso comum - situa-se algures entre a ciência (racional e definido) e a teologia (baseada na fé e no dogma).
Visto que se torna difícil identificar o objecto da filosofia, uma das formas possíveis de o compreender, é analisar as reflexões que são feitas pelos filósofos ao longo da História:
. Questões metafísicas: problemas do ser e da realidade - o Homem como fundamento e suporte de tudo o que existe.
. Questões lógicas: problemas do pensar.
. Questões gnoseológicas ou teoria do conhecimento: problemas do conhecimento em geral.
. Questões epistemológicas, de teoria e filosofia da ciência: problemas do conhecimento científico e da ciência - enquanto as outras ciências conhecem, a filosofia estuda a possibilidade do próprio conhecimento, os seus pressupostos e os limites do conhecimento possível.
. Questões de axiologia, ética, filosofia política, estética, etc.: problemas dos valores e da acção humana - ao contrário das outras ciências que estudam o que é, a filosofia estuda o que deve ser.
. Questões de filosofia da linguagem: problemas da linguagem - a filosofia estuda a linguagem das outras ciências na perspectiva da sua estrutura.

sábado, 9 de outubro de 2010

Alguns filósofos

  • Aristóteles foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. Os seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, a poesia, o teatro, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia.
Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como uma das figuras mais importantes, e um dos fundadores, da filosofia ocidental. Todos os aspectos da filosofia de Aristóteles continuam a ser objeto de um ativo estudo acadêmico nos dias de hoje. Embora tenha escrito diversos tratados e diálogos num estilo elegante acredita-se que a maior parte de sua obra tenha sido perdida, e apenas um terço de seus trabalhos tenham sobrevivido.

  • Platão nasceu em Atenas, entre 348/347 a.C. e foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Em linhas gerais, Platão desenvolveu a noção de que o Homem está em contacto permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a sensível. A primeira é a realidade imutável, igual a si mesma. A segunda são todas as coisas que nos afectam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens das realidades inteligíveis. Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das Ideias. Cada objecto concreto que existe participa, junto com todos os outros objectos de sua categoria de uma Idéia perfeita. A ontologia de Platão diz que algo é na medida em que participa da Ideia desse objecto.

  • Sócrates (469–399 a.C.) foi um filósofo ateniense, um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, e um dos fundadores da actual Filosofia Ocidental. Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era concentrando-se no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Convidava outros a concentrarem-se na amizade e num sentido de comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer como uma população. As suas acções são provas disso: no fim da sua vida, aceitou a sua sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de Atenas,  pois acreditava que não podia fugir da sua comunidade. Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a mais importante de todas as coisas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Historicidade da Filosofia

A historicidade da filosofia "não é a ideia de que os problemas da filosofia surgem nas obras dos filósofos do passado. Os problemas da filosofia surgem quando qualquer pessoa se põe a pensar em alguns aspectos da vida. Além de surgirem naturalmente, os problemas da filosofia não existem apenas nas obras dos filósofos do passado. Aliás, há mais filósofos hoje em dia. A chamada "historicidade da filosofia" não quer dizer nem que a filosofia não é uma disciplina viva, que surge sempre que nos pomos a pensar, nem quer dizer que a filosofia é uma coisa só do passado.
Em segundo lugar, e mais importante, a historicidade da filosofia não é a ideia de que o trabalho que nos resta fazer hoje é meramente compreender, comentar e analisar as obras dos filósofos do passado. Esta seria uma visão muito redutora da filosofia, e não corresponde sequer ao que os mais importantes filósofos da actualidade fazem.
Em Filosofia, o objectivo não é apenas compreender os grandes filósofos do passado e do presente, mas saber fazer filosofia.
O que dificulta a compreensão da relação que a filosofia mantém com a sua história é o facto de o progresso em filosofia ser muito diferente do tipo de progresso que se observa na ciência. Na ciência ensinam-se os resultados mais recentes. Em filosofia não se pode ensinar unicamente a mais recente teoria dos universais, por exemplo, ou a mais recente teoria ética, como se fossem teorias consensualmente aceites pelos especialistas. É que, ao contrário do que acontece em ciência, não há em filosofia um corpo vasto de conhecimentos consensuais e cristalizados. A filosofia é, essencialmente, discussão de ideias e especulação. Isto tem implicações importantes para o ensino da filosofia, pois não se pode dar ao estudante a ideia falsa de que as últimas teorias hermenêuticas, fenomenológicas, existencialistas, pós-modernistas, marxistas ou fascistas são a última palavra, no mesmo sentido em que a física de Einstein é, até hoje, a última palavra nessa área.
O primeiro factor é o saber-fazer envolvido na filosofia. Para se fazer filosofia é preciso dominar os instrumentos do ofício: saber discutir ideias, saber traçar distinções importantes, saber distinguir versões subtilmente diferentes de teorias análogas e, claro, compreender os problemas da filosofia. Sem estas competências fundamentais não é possível fazer filosofia competentemente; não é sequer possível fazer história da filosofia competentemente.
Quando discutimos uma ideia filosófica verificamos muitas vezes que essa ideia tem uma história; houve outras pessoas que a defenderam ou atacaram. É por isso importante saber o que os grandes filósofos pensaram. Nada há de extraordinário nisto."

Em suma, a necessidade de estudar os grandes filósofos do passado e do presente resulta da necessidade de não se perder tempo a defender o que já foi defendido e discutido, por um lado, e da necessidade de tentar ir um pouco mais longe na compreensão das coisas do que foram os nossos antepassados e os nossos colegas contemporâneos.

baseado em: http://criticanarede.com/fil_historicidade.html